Flashback 1 - Depois da festa cigana.
Noite de Lua cheia. Um jovem casal à porta de uma pequena casa. Ele, alto, bronzeado, cabelos negros. Ela, pequena, pálida como a luz do luar, cabelos dourados. Olhos negros, olhos verdes. Lábios grossos e vermelhos perto de lábios finos e rosados. Olhos verdes interrogando, pedindo, convidando. Sorrisos. A proximidade. As respirações se misturando. Mais perto. Os toques. Mãos fortes sobre uma cintura fina. Mãos delicadas pousadas sobre ombros largos. Mais perto ainda. Olhos nos olhos. Um suspiro. A união dos lábios. O abandono. O tempo parado. O mundo eram as bocas unidas. Um beijo, uma história. A história de um menino francês e uma menina sem pátria. A separação. Dois suspiros, agora. Vozes sussurradas.
Ele: "Je t'aime".*
Ela: "Moi aussi".**
O abraço desfeito. A caminhada até a porta.
Ele: "Seja minha namorada".
Sem hesitação. Sem dúvidas. Uma ordem, não fosse a suavidade da voz.
Ela: "Oui".***
Tranqüila, como se já esperasse por isso.
A porta fechada.
A separação.
E os sonhos...
* eu te amo.
** eu também.
*** sim.
terça-feira, 13 de março de 2007
sábado, 10 de março de 2007
Novas páginas

Diário novo, páginas novas, e muita coisa diferente... De volta à Inglaterra, de volta ao lar e aos cabelos negros. Mais madura, mais mulher, mais sozinha, também. Busco reatar as pontas cortadas, reaver tudo aquilo que perdi, mas é tão difícil... Tudo me parece tão distante. Até aqueles que amei e amo de todo o coração me parecem longe de mim... Tento me aproximar de novo, mas tenho tanto medo... Medo de que eles descubram o que me tornei. O que fiz, ou o que permiti que me fizessem. Mas quando me olho no espelho, ou quando levanto a manga e olho para ela - a Marca - ouço uma voz calma perto de mim, que me diz que nada é ruim quando é feito por amor. É uma voz feminina, que ecoa às vezes na minha mente, como se soubesse de alguma coisa que eu não sei. Tudo me parece estranho, desde que voltei a Londres. As roupas, feitas sob medida quando cheguei, parecem assentar mal. A comida não tem sabor, o ar não refresca nem as cobertas esquentam. A cama não oferece abrigo, nem repouso. Pelos deuses, o que me tornei?
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